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O universo dos quadrinhos sempre esteve vinculado ao mundo das bandas de rock, principalmente, aquelas que são independentes. Para comprovar, mais uma vez essa situação, a dupla formada pelo roteirista Marcelo Marat e pelo desenhista Emanuel Thomaz criou o jornal independente "Pará Fuso", no qual as músicas "Marx Marex" (Cravo Carbono), "Brechot do Brega" (A Euterpia) e "Messalina Blues" (Madame Saatan) foram transformadas em histórias em quadrinhos.
Para Marcelo Marat, o motivo para criar esse projeto é bastante especial. "Em 2006, eu iniciei um projeto de adaptação de letras de algumas músicas de bandas paraenses para a narrativa das histórias em quadrinhos. Entrei em contato com os músicos, que se interessaram bastante e autorizaram tudo. Escrevi os roteiros, que foram passados para o Emanuel para serem desenhados. Ganharam essa nova forma as músicas 'Marx Marex' (Cravo Carbono), 'Brechot do Brega' (A Euterpia) e 'Messalina Blues' (Madame Saatan). A idéia era lançar essas adaptações em encartes dos CDs ou divulgá-las nos sites das bandas".
Ainda de acordo com o roteirista, a adaptação da música "Brechot do Brega" foi consegue mostrar muito bem a sonoridade da banda A Euterpia. "'Brechot do Brega' talvez seja a música que melhor defina a banda A Euterpia: experimental, moderna, tropicalista, mixando rock, tango, bolero, brega e obtendo como resultado o que de menos tímido a música brasileira atual tem a oferecer. Difícil definir a sonoridade da banda – se é que as definições são mesmo necessárias. Na falta de um termo mais exato, alguns chamam de pop-rock. Eu prefiro chamar de música boa.

Atraído pela sonoridade e pelas performances de palco da banda foi que propus a adaptação de Brechot do Brega para os quadrinhos. Como linguagem narrativa optamos, eu e o desenhista Emanuel Thomaz, por algo que oscilasse entre o bolero e um filme "noir". O mestre Will Eisner (1917-2005, criador do clássico quadrinho 'The Spirit') também foi uma referência importante, bem como o clipe da música. Os membros da banda tornaram-se, assim, os personagens da ação. O resultado pode ser visto como um Casablanca em versão tupiniquim-paraora. Uma mistura, bem ao gosto da banda."
Além dessas músicas, os artistas também desenvolveram projetos para outras bandas e compositores, que não estão vinculados diretamente ao rock. "Ficaram na gaveta outros três projetos: 'Descontrolado' (banda Clepsidra), 'Os Passa-Vida' (Alcyr Guimarães) e 'Leopardo' (Vital Lima). Numa fase que eu pretendia estender as adaptações para outros estilos de músicas, além do pop-rock", revela Marcelo.
Mesmo com todas as dificuldades e que estão ligados a independência, Marcelo mantém esperanças para que mais pessoas possam conhecer as adaptações e para que outros roteiros surjam inspirados na diversidade da musicalidade paraense. "Talvez um dia esses projetos venham à luz e surjam outros. Aproveitando a rica diversidade musical do nosso Estado. Pois assim, nós poderemos criar um diálogo mais intenso entre essas duas linguagens: uma mais popular, que é a música; e a outra ainda pouco conhecida, isto é, a das histórias em quadrinhos", mostrou-se esperançoso.

Para quem deseja conhecer o trabalho dos dois, podem entrar em contato por meio dos emails: Marcelo Marat (marcelomarat@hotmail.com) ou Emanuel Thomaz (nitronorato@bol.com.br).
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