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aroma de bordel
ROER CAROÇO É PRA QUEM PODE!
Essa vida inteira é uma brincadeira
É só ficar quieto e não dar bandeira
Você chupou a manga até o fim
E só deixou o caroço para mim

Claro que você conhece essa música, afinal de contas você é roqueiro, certo? Se não conhece vai até o "So-sick" ou qualquer coisa parecida, baixe essa música, escute e volte. Que raio de roqueiro é isso que não sabe sobre o cara mais pedido em todos os shows e bares do país?
Enfim, nessa música nosso roqueiro mitológico (o homem foi até na cidade de Thor, imagina!?) fala do caroço da manga como se fosse a sobra do resto do quase nada que a danada largou para ele. Como se fosse um osso velho e sujo de pó jogado no canto do caminho. É uma forma legítima de se ver o caroço, e muita gente do rock independente quando vê o trabalho feito pensa que só sobrou o caroço.
E por trabalho feito eu estou falando da Monstro em Goiânia, do Belrock em Belém, do FanROck em Porto Velho, do DoSol em Natal, do Espaço Cubo em Cuiabá, do Senhor F. em Brasília, para citar alguns raladores do rock que já possuem um trabalho encaminhado, quando não consolidado. Alguns, porque existem ainda montes e montes de gente trabalhadora. Então nesses casos, muita gente olha e pensa "Putz, esses caras chuparam tudo e só largaram o caroço pra mim!".
É um pensamento digno, porque reconhece o trabalho e as conquistas de muitos que já vem se esforçando a mais tempo, mas é um pensamento indigno também, porque considera que tudo já foi feito, tudo já foi visto, tudo já foi conquistado. Que cenário é isso de terra devastada que você acredita, afinal de contas? Muita coisa foi feita, sem dúvida, muitos resultados e louros folham colhidos, mas o rock independente se presta aos mais diversos esforços e isso justamente o configura como independente. Num texto da Dynamite semanas atrás eu falei sobre "Independer-se", e reforço o convite com um adendo de sabor e saber: independa-se e ouse!
Sim, é isso mesmo, porque talvez então o pensamento derrotista-chorão tenha alguma lógica. Talvez não seja mais o caso de se montar um novo selo? Então que tal montar uma prestadora de serviços para esses selos? Aqui em GoiâniaTown uns lokis se juntaram e montaram o Bicicleta Sem Freio, que é uma comuna alucinada de desenhos e artes e belezas que vem dominando o mundo na cidade. E são uma banda também, o Black Drawing Chalks, mas isso não os define, o que os melhor define são os flyers, cartazes, capas de discos e uma porrada de coisas que eles vem fazendo para o rock.
Não sabe desenhar? Então presta atenção em você por uns dois minutos e eu aposto meu rim que você descobre algo que saiba fazer com qualidade. Tu é um chato de galocha? Não sofra com isso, diretores de palco são sempre necessários nos festivais e tem que ser chatos pra diabo, senão ninguém respeita. Tu é um falador incansável e incurável? Cuide do bar no festival, além de atender bem os clientes com sua prosa macia, terá a chance deliciante de entreter os zêbados de fim de festa (ou de meio de festival) com seus sorrisos e histórias, o que os fará comprar ainda mais bebida dando ainda mais lucro ao bar. Não sabe fazer pôrra nenhuma mas se acha bonito? Pose para fotos nas capas dos Cds, cartazes, flyers e quetais.
Uma coisa eu tenho certeza, por pior que você seja, pelo menos para mau exemplo você serve, então ache uma oportunidade para exibir essa sua característica, porque tenho certeza que oportunidades existem. Aqui em Goiânia alguns novos entrantes (e outros nem tanto) assumiram os papéis de chatos reclamões insuportáveis do orkut (onde mais?) e exercem essa atividade com galhardia. Entram em todos os tópicos, reclamam de tudo, falam mal de todo mundo, alguns com bom humor, inteligência e sarcasmo (como Gustavo e Ruy), outros com sua burrice típica e sua adolescida cabecinha, e nem vou perder tempo comentando esses arremedos de problema.
O fato é que as oportunidades para participar existem aos montes, basta olhar e ver. O festival Calango inovou esse ano com uma transmissão ao vivo direto do festival, e quem fez isso funcionar (além de ter bolado o troço) foi um beborrível aqui de Goiânia, o Pedro "Reator" Fernandes. Pedro usa a Rádio Mídia - www.radiomidia.com - para apresentar seu programa diário, um programa semanal (o FOGUEIRA, comigo e com o Rodolfo Morais, segundas-feiras, às 20 horas nesse link aí) e ainda tem tempo de inventar coisas bacanudas como essa transmissão ao vivo. E quer saber? Tem tudo para participar de todos os festivais do país agora, porque a idéia é brilhante.
Caras como o Pedro percebem oportunidades e querem ajudar, gente assim conquista chão. Ele vem apoiando os festivais da cidade com seu programa e suas entrevistas e com isso vem mostrando sua cara ao país inteiro. E ainda surgem doentes mentais que reclamam do trabalho voluntário do cara. Não que ele não possa ser criticado, mas uma coisa é criticar a qualidade do trabalho, outra coisa é reclamar com choro e biquinho da quantidade do trabalho, como se tudo que o cara fizesse não fosse suficiente para as divas.
Então larga de ser acomodado e pára de reclamar. Reclamação é desculpa de preguiçoso, colocar a culpa de seus insucessos nos outros é fácil demais, então arruma um rumo para suas idéias e faz alguma coisa. Porque até o caroço de manga tem utilidade para quem quer. O caroço da manga cozido é um ótimo vermífugo e fantástico para combater a asma, anemia, diarréia, sarna e ainda é expectorante.
Você está em Belém, terra das mangueiras, quer um exemplo mais eloquente? Então de uma vez por todas entende que roer caroço é para quem pode, não é para quem quer.
Há braços!
Eduardo Mesquita, O Inimigo do rei
http://ogritodoinimigo.blogspot.com
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