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MADAME SAATAN DOS PALCOS DO TEATRO AOS PALCOS DO BRASIL

[01.10.07] [ 06:34] - Por: Thiago Viana

 

Entre covers de Black Sabbath e apresentações em Karaokês surge em Belém, logo do início de 2003, uma banda que em pouco tempo se tornaria uma das maiores referências no iminente “boom” da música paraense.


Foto: Renato Reis

O Madame Saatan nasceu a partir de um convite de Paulo Santana, diretor de teatro, para que a banda (na época a banda cover sem nome) fizesse a trilha sonora do espetáculo “Ubú, uma odisséia em Bundalêlê” adaptação do texto “Ubú rei” da obra de Alfred Jarry.
 
A BANDA – O processo de formação do Madame Saatan foi uma verdadeira garimpagem: “Se não me falha a memória, a Sammliz (voz), Zé Mário (guitarra) e eu (baixo) conhecemos o Edinho numa espécie de um festival na Assembléia Paraense,  num karaokê ou alguma coisa assim e o chamamos pra tocar a outra guitarra da banda.” – conta Ícaro Suzuki. O baterista, Ivan Vanzar, foi descoberto tocando cover de Black Sabath na noite da cidade: “O Ícaro pegou o contato da minha banda e ligou pro vocalista dizendo que tinha uns equipamentos de bateria pra me dá. Tudo invenção. Na verdade já era pensando em me chamar pra tocar na banda dele.” – lembra Ivan. E assim a banda se completa.


Foto: Bernie Walbenny (Festival MADA - Natal-RN)

Logo depois disso veio o convite para a trilha sonora do espetáculo, trabalho que durou sete meses até a estréia do mesmo. Foi nele que a banda ganhou nome: “Alguém em algum momento falou nesse nome e eu achei legal pra uma banda de rock. Houve alguma resistência por conter uma palavra forte, uma palavra pouco compreendida, mas depois a gente decidiu que era legal e que iria ficar Madame Saatan mesmo.” – diz Sammliz.

Em 2004 o quinteto lança a demo “O tal do caos” que reunia algumas músicas feitas para a montagem de Paulo Santana que já não estava mais em cartaz. Logo depois deste registro um dos guitarristas, Zé Mário, resolve deixar a banda e a partir daí o Madame Saatan enfrenta um momento difícil no “rearranjo” do repertório: “A saída do Zé Mário deixou a gente muito inseguro, nossas músicas foram feitas para duas guitarras e de repente a gente tinha perdido uma delas. Tentamos substituí-lo mas não conseguimos e resolvemos que iríamos seguir assim mesmo. Aí a gente foi amadurecendo, remontando os arranjos e hoje eu acho que a gente conseguiu suprir essa falta.” – explica Ícaro.


Foto: Bernie Walbenny (Semana do Trânsito - Centur)

FÃ-CLUBE – O Madame Saatan, mesmo com menos de cinco anos de estrada, já tem fãs organizados em fã-clube reconhecido e oficializado pela própria banda. Criado em outubro de 2004, dentre os objetivos do fã-clube estão a valorização e divulgação do nome da banda: “Antes de formar o fã-clube a gente chegou com a Sammliz e perguntou se podia e tal, se não era muita pagação por se tratar de uma banda de metal e ela foi supersimpática apoiando a idéia e incentivando um grupo de mais ou menos 15 pessoas.” – conta Milena Pontes, umas das fundadoras.
Para fazer parte do fã-clube é preciso demonstrar acime de tudo que é fã da banda: “tem que ter a primeira demo, “O tal do caos”, que pode ser baixada na internet e tem que se fazer presente nos shows.” – avisa, Milena, aos interessados Hoje o fã-clube conta com pouco mais de 30 pessoas e cresce a cada dia com adeptos de várias partes do Brasil como Manaus, Salvador e São Paulo. O contato pode ser feito através do www.fotolog.com/fc_madamesaatan.


Foto: Renato Reis (Gravação do Clip "Devorados")
 

CLIPE – No show de lançamento do cd que aconteceu na noite de 29 de setembro de 2007, a banda exibiu em primeira mão a versão I de seu segundo clipe, “Devorados”, primeira faixa do disco. O clipe foi gravado na Vila da Barca, comunidade periférica da capital paraense conhecida pela excessiva pobreza e miséria e mesmo sob o estigma que o bairro carrega, o clipe dirigido por Priscila Brasil (As Filhas da Chiquita, 2006) pretende mostrar justamente o inverso dessa situação: “No início dos trabalhos houve uma preocupação dos líderes comunitários porque muitos documentários já foram feitos lá explorando justamente toda essa situação de miséria, de descaso do poder público e tudo mais e o nosso clipe vem mostrar um lado que talvez muita gente não se permite pensar. Que apesar de toda a pobreza, também é possível ter uma vida feliz. Que como em qualquer outro lugar, lá também existem pessoas legais e pessoas pouco confiáveis.” – explica Ivan.
Mais de 50 pessoas entre amigos, parentes e pessoas da própria comunidade participaram da produção e dos três exaustivos dias de gravação do videoclipe que posteriormente deve ganhar uma segunda versão.


Foto: Renato Reis (Estudio O Meio do Mundo, gravação do disco)

CD – O primeiro cd do Madame Saatan já está a venda desde o último dia 14 nas lojas Ná Figueredo. O disco tem dez faixas que passeiam por toda trajetória da banda. Desde “Apocalipse”, parte da trilha sonora do espetáculo teatral, e “Ele queima, ela sorri” composta dias antes da banda entrar em estúdio: “A gente teve um mês de pré-produção, passando as músicas exaustivamente com os toques do Alcir Meireles que assina a direção musical do disco e quando foi em outubro do ano passado (2006), a gente entrou em estúdio e gravou tudo em uma semana.” – conta Ícaro – “Foi quando a gente chamou o Jera Cravo, que conhecemos quando ele tocava bateria no “Astronautas” e o trouxemos da Bahia pra ficar trancafiado com a gente no estúdio por sete dias produzindo o cd.” – continua.
O disco foi lançado por um pool independente que envolve: “Cubo Discos” (MT), “Fora do Eixo”, “Fósforo Records” (GO), “Ná Records” (PA) e “Roquenrou Beibe” (PA). O show de lançamento aconteceu na noite de 29 de setembro no Memorial dos Povos com participação das bandas A Euterpia, Estado Civil (Castanhal) e Trio Manari. A entrada foi 1kg de alimento não perecível, doado à comunidade da Vila da Barca.

Confira a matéria sobre o show de lançamento: http://www.belrock.com.br/materia/395-1

SERVIÇO:
SHOW DE LANÇAMENTO DO CD MADAME SAATAN
Hoje (29), a partir das 19h.
Local: Memorial dos Povos (Av. Gov. José Malcher, 295)
Participações: A Euterpia, Estado Civil e Trio Manari
Ingresso: 1Kg de alimento não-perecível.
Exibição da versão I do videoclipe “Devorados”.


Video: Lacus Produções (Festival BelRock)

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