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Mais uma vez ficou comprovado que Belém do Pará é uma das cidades mais rockers do Brasil. O que aconteceu nesse final de semana foi um bom exemplo. Quando ocorreram eventos marcantes, entre eles o lançamento do primeiro CD da banda Madame Saatan, no sábado (29/09), no Memorial dos Povos. E no domingão (30/09), show da banda de hardcore paulista Aditive, no Doca Class Fest.
Você que está lendo este texto agora, tente imaginar a cena: Uma noite quente de setembro, sábado, o lançamento de um dos CDs mais aguardados da cena independente paraense, filas quilométricas de fãs da banda Madame Saatan; e sobretudo, vários amigos afim de celebrar esse momento.
Mas antes de começar falando dos shows, é muito importante destacar que cada pessoa, que trouxe seu um quilo de alimento não-perecível, conseguiu ajudar tanto a paróquia de Confissão Luterana quanto a República de Emáus. Ao todo, foi arrecado mais de uma tonelada de alimentos.
A programação começou com o show da banda Estado Civil, direto do município de Castanhal, que já apresentou para os paraenses belos frutos musicais, entre eles Suzana Flag, Telesonic e Attack Fantasma. O show da Estado Civil foi competente e mostrou a diversidade musical, típica da atual música pop paraense. Diferencial importante em relação a outras cenas de outros estados.
Em pouco tempo, o público, que já lotava o Memorial dos Povos, começava a sentir o gosto do que aconteceria. Isso ocorreu quando foi exibido, em primeira mão, o clipe da música “Devorados”, dirigido pela documentarista Priscilla Brasil. O clipe impressionou e chegou a emocionar algumas pessoas.
Quando o clipe findava, já estava no palco A Euterpia. A partir desse momento, o evento começaria a esquentar em todos os sentidos.
Para Marisa Brito, vocalista d’A Euterpia, ter participado desse lançamento foi de extrema importância. “Compartilhar da vitória de uma banda tão querida e tão batalhadora como esta, nos dá uma sensação de alma lavada. Porque essa é uma vitória de todos nós músicos e nos enche de orgulho! Eles merecem!”.
A banda fez um set emocionante, no qual não faltaram as músicas, que já estão no inconsciente coletivo do público, que freqüenta as apresentações das bandas autorais. É importante frisar o entrosamento entre os músicos, Tom Salazarcano (guitarrista), Márcio “Pato” Melo (baixista) e Carlos “Canhão” Brito (bateria). Show mais uma vez, perfeito.
Para deixar tudo mais intenso, foi exibido mais uma vez o clipe da música “Devorados”. Nesse momento, o Memorial dos Povos já estava completamente lotado. Sem contar uma gigantesca fila, que cercava o local.
Antes do início do show, foi apresentado o vídeo do Zé do Caixão falando sobre a banda, o mesmo que foi mostrado antes da apresentação da banda no mês de maio, no projeto Super Novas, na capital paulista, no Centro Cultural Banco do Brasil.
O show começou com a música “Vela”. Sammliz (voz), Ícaro Suzuki (baixo), Ivan Vanzar e Edinho (guitarra) mostraram muito profissionalismo e segurança para controlar o público visceral, e satisfeito por comemorar mais essa vitória do rock paraense.
Mesmo com todas as dificuldades técnicas, como a ausência, quase completa do retorno no palco, eles conseguiram transformar o Memorial num caldeirão. O local estava completamente tomado pelos fãs da banda.
Porém, é importante deixar claro, que não houve qualquer registro de violência. Mais de duas mil pessoas se divertiram e berraram todas as músicas.
O repertório foi enriquecido quando os músicos tocaram o riff do clássico “Walk”, da banda norte-americana Pantera, no meio da canção “Cine trash”. Impressionante foi a participação do trio percussivo Manari na música “Pão e Círculo”.
Por causa das restrições “burrocráticas” do local do show, que fica sob a responsabilidade de pessoas dispostas a atrapalhar, o repertório da Madame Saatan ficou limitado. Mesmo assim não atrapalhou o final com outra participação memorável do eterno integrante da banda, o excelente guitarrista Zé Mário, em “Alfa e Omega”.
Na verdade, o resultado positivo desse lançamento só foi possível devido ao esforço mútuo de várias pessoas, que desejam muito a valorização da cena independente paraense. Esforço esse, muitas vezes, questionado por diversas pessoas. Sendo dificultado, com o desejo para que tudo dê errado.
Esse evento, me lembrou uma situação, mais ou menos parecida, mas que está relacionada a superação.
Segundo a Sammliz, esse show representou o começo de uma nova fase para a banda. “Sente-se quando se fecha um ciclo e precisa começar outro. O show de sábado foi tipo um ritual de passagem e sentimos todos um misto de coisas. Foi turbulento, me lembrando muito o início de tudo. Ali parecia também que era um começo. Inacreditável aquele povo todo ter aparecido, emocionante mesmo. Foi engraçado em certos momentos porque o público sempre responde de maneiras absurdas, e ele estava particularmente provocador esse dia. Me diz se não dá pra passar alguns dias felizes depois dessa?". Com certeza absoluta.
A seguir o texto do jornalista Felipe Awi, sobre o famoso caso de superação do grande craque Arthur Antunes Coimbra, o Zico. “O legado da perseverança: ‘Vai começar tudo de novo, doutor'. A frase de Zico para o médico Giuseppe Taranto, num simples coletivo do Flamengo em que o craque saiu com a mão no joelho, em 1988, foi repetida várias vezes. Para ser o que foi, Zico teve de driblar torções, estiramentos, fraturas e operações. Entre cadeiras de roda e mesas de cirurgia, o ídolo mostrou uma persistência que assombrava àqueles que o acompanhavam mais de perto. ‘- Zico é um exemplo de perseverança. Vi o quanto ele lutou para continuar jogando. Por isso, sei como foi injusta aquela derrota para a França - conta o amigo e ex-lateral Júnior. O ex-companheiro se refere à perda da Copa de 86, que tinha tudo para ser o grand finale da luta de Zico contra seu próprio corpo. O drama começou um ano antes, em 29 de agosto de 1985, quando o zagueiro Márcio Nunes, do Bangu, deu o carrinho mais cruel da história do Flamengo. Uma torção grave no joelho esquerdo, três cirurgias, noites sem dormir e morfina para conter dores. Nada disso fez o craque desistir de jogar sua terceira Copa, que, como dizia Zico, ‘era como algo querendo sair do joelho’. Nada disso fez o craque desistir de jogar sua terceira Copa”. Mas no caso da banda Madame Saatan, e de todas as pessoas que participaram, o que ocorreu foi uma vitória.
Shows de domingo –
Para curar a ressaca do lançamento do CD da banda Madame Saatan, nada como um festival de hardcore. E foi isso, que fui conferir no Doca Class Fest. Várias bandas paraenses do estilo, onde o grande destaque foi a Aerolito. O festival foi organizado pela equipe do grande Sandro-K.
Para fechar com chave de ouro o festival, a banda paulistana Aditive, que estava lançando o CD “Ignição”. Diversão garantida. O show tão tava bom, que acabou queimando o gerador. Mas ficou tudo tranqüilo.
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