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ROCKTOPIA - PELV’s: TALENTO EM SER INDIE

[12.01.07] [ 06:08] - Por: Marcelo Damaso

No Brasil, existem poucas bandas que seguem à risca o conceito independente, e milhares de grupos que atuam com sonoridade e pose indie. Aliar as duas coisas, no entanto, é talento (ou saco) para poucos. A Pelv’s faz isso numa boa, sem frescura e com os pés no chão. Com 15 anos de estrada, o (agora) septeto carioca lança o quarto disco de sua carreira, Anotherspot, pelo selo carioca Midsummer Madness. O novo álbum é a prova máxima do amadurecimento de uma banda formada por caras que, aparentemente, estão nessa realmente pela música.
Conheci a Pelv’s lendo por aí sobre o disco Peter Greenway’s Surf, que, na época, havia sido lançado pela Rock It!, selo que o guitarrista da Legião Urbana havia montado e que apostava numa leva de bandas opostas à geração que ele ajudou a construir. A Pelv’s era uma delas e eu fui saber isso bem depois, quando comprei o segundo da banda Members to Sunna, já lançado pelo Midsummer Madness. Esse disco me mostrou uma banda que, apesar das letras em inglês, do conceito, dos shows com “cabeças baixas e olhos fechados”, conseguia sobressair-se à atmosfera indie em voga naquela época.

pelvs1

Fazendo o caminho inverso, comprei Peter Greenway’s Surf em seguida e, por estar gostando de muita coisa lo-fi na época, engoli o CD considerando-o um grande trabalho: mais “molecão”, gravado por garotos no quarto de um deles e desapegado de tantos detalhes que enriquecem um álbum – como o Members to Sunna. O segundo disco traz trompetes e arranjos muito bem elaborados ao som da banda, que apesar de declarar que suas influências vinham de My Bloody Valentine, Lloyd Cole e grande parte do rock inglês dos anos 90, a primeira referência que eu tive ao escutar o disco foi J. Mascis e seu Dinosaur Jr. A voz de Gustavo Seabra, cerne da Pelvs, é de associação imediata, ainda que todo o resto pareça bem pouco. E foi essa fusão de elementos que me fez ver que a banda não reza na cartilha, segue seus próprios rumos ignorando as tendências que passam por suas ventas e traçando com honestidade seu percurso e sua “proposta” - se é que se pode falar que a Pelv’s tem uma proposta. Para mim eles apenas fazem música.

ANOTHERSPOT – o quarto trabalho dos cariocas já conquistou os fãs (principalmente da imprensa) que aguardavam ansiosamente o novo passo. “Liberado” no final de 2006, Anotherspot já esteve listado em várias “melhores de 2006”, como na lista do jornalista carioca Arthur Dapieve e do site Trama Virtual. Apesar de sua data de lançamento, prefiro considera-lo um disco de 2007, que é quando estarei digerindo-o aos poucos.
Baby of Macon, primeira faixa do disco, são mais de 10 audaciosos minutos de melodia reverberando por todos os instrumentos e nos versos cantados. Impossível passar adiante, até porquê se você não gostar da primeira faixa, esqueça o resto. Anotherspot é permeado de climões, recursos de estúdio bem dosados e sem muitos refrões e guitarras barulhentas – exceto por Keep your music away, faixa cantada pelo outro guitarrista da banda, o Gordinho.
Tupiguarani é uma bem sacada resposta às perguntas que bombardeiam a banda por cantar em inglês. Uma combinação de vocal com quedas, guitarras e backing vocals que só uma banda veterana é capaz de produzir. A minha favorita do disco.
Assim como em Penninsula, o melhor disco da banda (por isso nem falarei nada a respeito enquanto o assunto é o mais recente trabalho), Anotherspot traz uma banda que sabe trabalhar muito bem em estúdio.
Post Scriptum, oitava das nove faixas do trabalho, é um o recado perfeito de uma carta que já está concluída, misturando o post-rock que flerta direto com o indie rock feito com maestria pelos sete cariocas, que não pegam onda, mas bebem da surf music, assim como os outros estilos, ruídos e instrumentos que podem ser inseridos em seu som.

ROCK BLOCKS

» A ROCKTOPIA não foi publicada nas duas últimas semanas devido a não existência das duas edições passadas de segunda-feira. Tradicionalmente, nos feriados de natal e ano novo, o jornal faz apenas uma edição para os dias 24-25 e 31-1º. Feliz 2007 atrasildo para todos nós! Acho que esse ano será mais rock do que em 2006.


» A Euterpia e Stereoscope foram convidados a participar do festival Grito no Rock nos dias 17, 18 e 19 de fevereiro. O festival que está em sua quinta edição em Cuiabá. As duas bandas paraenses estarão dividindo palco com Faichecleres (PR), Forgotten Boys (SP), Pública (RS), Technicolor (GO), Bang Bang Babies (GO), Nicles (AC), Stereovitrola (AP), Ecos Falsos (SP) etc.


» Falando em Grito no Rock, Belém será uma das 20 cidades brasileiras que participarão desse movimento integrado no carnaval. Idéia do produtor revolucionário Pablo Capilé, que deu à equipe do Se Rasgum no Rock a tarefa de escalar algumas das melhores bandas de rock paraense para o evento.


Fonte: Jornal Diário do Pará

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