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do lado mais escuro

Surpreendente.
Este é o adjetivo proferido pela maioria das pessoas que assistiram, no último sábado (03), o show de estréia da banda Tenebrys. O evento, realizado no anfiteatro do Memorial dos Povos foi um deleite para os amantes do metal que há tempos não eram presenteados com alguma novidade que viesse da própria terra. A noite começou com todo o peso do Warpath que botou o público pra bater cabeça e aqueceu os ânimos para a o experimentalismo do I.O.N. que se apresentou logo em seguida.
O Tenebrys, grande anfitrião da festa, não deixou a peteca cair mesmo com toda uma sonoridade mais lenta e arrastada, com introduções levemente transtornastes na combinação de teclados e bateria. O público parecia hipnotizado pela atmosfera de sombras, agonia e tenebrosas surpresas. O vocal, ora suave ora gutural, impunha o ambiente exato para que cada um pudesse desenvolver seu próprio sentimento a respeito de cada música. As expressões eram diversas: espanto, medo, pasmo, entre outra tantas comuns penas pelas idéias e sentimentos latentes em cada uma das letras de autoria da banda.

Na oportunidade da estréia, a banda aproveitou para lançar o EP “Mundano” que leva o selo Ná Records e contém 5 faixas, 4 delas já disponíveis na internet para download. O registro tem a produção de Mauro Seabra e trabalho gráfico de Eva Leitão, da Fábrica de Design.
Um dos momentos mais marcantes da apresentação foi a participação das já conhecidas “Cordas Tenebrosas”, um trio formado por músicos de importantes orquestras da cidade. Formado pelo violino de Luê Soraes, viola de Samuel Lima e violoncelo de Ulisses Vaz, o trio participou das gravações do mais recente single lançado pelo Tenebrys na internet, “Buried Alive”. Outro destaque foi o cover inusitado de “Zombie”, da banda The Chramberries, em uma versão mais agressiva e gutural. Mas a grande surpresa ficou por conta das novidades autorais apresentadas pela banda. Apesar da banda já ter disponibilizado as faixas do EP “Mundano” na internet, a música mais aplaudida deste show foi justamente uma inédita, apresentada ao público naquele momento, “Insônia”, escrita pela tecladista Raquel Serruya.

O público foi um show à parte. Já cientes da recente perda que o rock paraense teve ao ter o teatro experimental Waldemar Henrique fechado para eventos do movimento rock – o que causou, inclusive, a transferência do show para o Memorial dos Povos – o público deu exemplo de bom comportamento e civilização o que fez com que o evento fosse bem avaliado também pela administração do espaço.
Surpreendente.
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