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MAQUINARIA ROCK FEST - PRIMEIRO DIA

[20.05.08] [ 09:46] - Por: Bernie Walbenny

 

 

Entrando no Espaço das Américas, local gigantesco e fechado onde aconteceu a primeira edição do Maquinaria Rock Fest, me deparei logo com uma mega estrutura montada para receber o festival: dois palcos, pa's line array, equipamentos e mais equipamentos de iluminação, telões de led ao fundo, cinco telões para projetar o espetáculo, tudo de ponta. Ah, caixas, bares e banheiros sem filas, e o credenciamento de imprensa bem organizado, assim como o acesso do público, ê beleza!

Quando cheguei por lá já estava terminando o show da segunda banda, a Sun Turns Black, antes tinha tocado a Child o f Flames.

O primeiro show que acompanhei foi da Korzus (SP). O som começou um tanto indefinido, o que foi melhorando na metade. Mas foi só um detalhe. Problemas técnicos a parte, a banda conseguiu contagiar o público, que cantou e participou bastante. Na metade do espetáculo, o vocalista, Marcelo Pompeu, dedicou o show ao guitarrista Wander Taffo que faleceu durante a semana, ressaltando sua importância para a evolução técnica dos guitarristas no país. Antes do final, o vocalista ainda comandou uma roda de pogo, dividindo a platéia ao meio e ordenando que todos trocassem de lado ao sinal. E o povo acatou com firmeza! O show terminou em grande estilo com Slayer e outra gigante roda de pogo. Destaque para o guitarrista, que mesmo com o pé quebrado, agitou tudo!

Logo depois subiu no palco 2 a Threat que pegou um público morno, talvez porque ainda estivessem assimilando a sua música. A banda é até boa, mas o vocal não estava ajudando muito. Lançaram disco ano passado.

No palco principal subiu uma das grandes da noite, o Ratos de Porão. A banda contagiou o público, que fez bonito e cantou maior parte das músicas. O vocalista João Gordo ainda “brindou” os fãs do RDP com a infeliz imagem de sua bunda.

Acabou RDP no palco 1 e no outro ouço um “Igreja Universal do Reino do Rock”, já conhecia essa frase de algum lugar, aliás, tenho essa música em meus arquivos. Fui lá conferir. A banda em questão é a curitibana Motorocker. O som é calcado em AC/DC, yeah, nós temos o nosso! Infelizmente talvez ali não fosse a oportunidade certa para um show deles, ficaram deslocados e o público disperso, mas uma festa com eles deve ser sensacional.

Antes de terminar o show do Motorocker, o público já se concentrava em frente ao palco 1. Pelas quantidade de camisas com a caveira Crimson Ghost em frete ao palco não era difícil acertar quem viria por ali: MISFITS. A lendária banda de punkrock que influenciou gerações subiu ao palco e, mesmo com a idade pesando nos ombros, fez um bom show para empolgação dos fãs. O único senão ficou para o som que não ajudou muito!

No palco 2 apostos a Embrioma. Uma das boas bandas daquele palco. O som tem influência de trash, death, nu metal,... os músicos também são muito bons e tem boa pegada. Peso de qualidade. Dá uma ouvida: www.myspace.com/embrioma

Depois do peso da Embrioma, o peso dos mestres Sepultura no palco 1. Um show espetacular, em plena forma o Sepultura fez um dos melhores shows do festival com o público cantando, pulando e participando do início ao fim. Um show a parte foi a iluminação, a melhor do festival. A banda ainda brindou o fãs com uma música nova, ainda sem nome.

Tocar depois de um show desse não é tarefa fácil para banda nenhuma. E a banda que subiu no palco 2 não ajudou muito. A Tristania, gentilmente apelidada nos bastidores de Tristonha, conseguiu fazer o show do festival mais deslocado, quebrando a programação. Ao primeiro riff de guitarra vi que tinha algo errado, e tinha: uma guitarra muitíssimo mal timbrada. Para completar o circo de horror, um batera sem pegada, uma vocalista com voz irritante, um vocalista pra lá de estranho e músicas que não contagiou nem o público ali presente, que preferiu ir ao banheiro, ou descansar para os outros shows. A banda veio da Noruega fazer o show mais mal falado do festival. Ah, mais um detalhe. A banda escalada para aquele horário era a excelente Matanza, que acabou tendo que fechar o primeiro dia, já que a Tristania conseguiu um vôo mais cedo. Troca feita em cima e pegou o público e a imprensa de surpresa. Uma pena.

Mas tristeza a parte, algo bom nos esperava no palco 1. Quando o público começou a chegar massivamente uma coisa ficava clara: o público ali queria ver Misfits e Suicidal Tendencies, as bandanas na cabeça entregavam. E o ST estava em forma. O show foi frenético e eles conseguiram pular, correr, cantar e tudo ao mesmo tempo agora do início ao final do show, coisa que muita banda nova não se garante fazer. Foi uma aula. E na última música o vocalista Mike Muir, único membro da formação original, desceu pra fazer a festa junto dos fãs/sósias.

No palco 2 já estava pronta a banda Sayowa. Quando vi os tambores fiquei tentando imaginar o que viria ali: Slipknot ou Nação Zumbi? Influência dos dois, diria. A banda segurou uma boa base, pesada, definida e com qualidade. Confesso que não gostei muito da mixagem da voz, não sobressaiu. Ouvindo o myspace (/sayowa) da banda gostei mais e a voz está melhor na gravação. No outro dia estava conversa com o baterista - Raphael Laport que já conhecia de quando fiz a tour do Luxúria por Manaus, Belém e Fortaleza, ele me contou que a banda em seus quase dez anos faz mais shows fora do país do que em seu estado de origem, o Rio de Janeiro.  Teve cover de Chico Science e Metallica. Dá uma ouvida no myspace deles (/sayowa)

Não, a sessão de shows históricos ainda não acabou. Ainda tinha Biohazard fazendo seu primeiro show no Brasil com a formação original. Um show emocionante, de ver pessoas chorando mesmo. O som tava altíssimo, no talo! E a banda quebrando tudo com sua mistura de metal, hardcore e elementos do hiphop e rap. O som agressivo da banda influenciou várias outras, como os amigos do Madame Saatan que hora dessas não agüentavam mais de tanta emoção. O vocalista e guitarrista Billy Graziadei usou e abusou de frases de efeito em português como “Vocês são do caralho(u)!” ou até mesmo brincando coma frase em inglês “the book is on the table”, o que para alguns soou mais como uma tiração de sarro. E a vontade de interagir com público foi tanta que ele desceu com sua guitarra para fazer uns acordes junto ao público.

Depois teve show das bandas Muscaria do Equador que mesmo tentando um simpático portunhol não conseguiu impedir a saída do público, e do Matanza que teve o horário trocado e fez um show, segundo o próprio Jimmy, para seu "clube de cafajestes" e afirmou ter o horário trocado com "Tristona".

O primeiro dia deu um público médio entre quatro e cinco mil pessoas de acordo com a assessoria de imprensa do evento. A apresentadora anunciada, a a triz pornô Jasmin Sta Claire, perdeu o vôo e por isso não apresentou as atrações, como prometido. No próximo post contaremos como foi o segundo dia e uma conversa que tivemos com um dos organizadores do evento.


O público no show do Korzus

Ratos de Porão

O lendário show do Misfits

Embrioma

Andréas Kisser incendiando o show do Sepultura com sua Strato

Sepultura teve a melhor iluminação do festival

Os noruegueses da Tristania

Suicidal Tendencies e seu show frenético

Suicidal Tendencies

Sayowa e seu metal com base percursiva

Biohazard na sua formação clássica. A esquerda o baixista Evan Seinfeld e o guitarrista Billy Graziadei

Biohazard
Texto e Fotos por Bernie Walbenny

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