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E então a rádio local anuncia a próxima música, é da banda StereoScope. O nome sugere uma banda estrangeira, mas o idioma português entrega as origens. Poderia ser qualquer lugar do País, mas a personagem da música acaba de “cruzar” as Avenidas Gentil Bittencourt e Serzedêlo Correa. O Som é característico, poderia ser uma versão dos Beatles, ou Jovem Guarda, poderia ser um brega. Poderia ser muita coisa entre as décadas de 60 e 90. Mas a música é de 2002, feita em Belém do Pará por um legítimo conjunto de Rock.
Naquele ano o StereoScope nasceu de uma reunião entre Jack Nilson (guitarra e voz), Ricardo Maradei (baixo e voz) e Marcelo Nazareth (guitarra e voz). Todos já tocaram em outras bandas. Marcelo já participou de uma edição do Rock 24h, além de tocar em uma banda cover dos Beatles. Jack e Ricardo também tocavam no circuito noturno de Belém. Compartilhando idéias e composições os três decidiram apostar na idéia da banda, que a princípio e desde então, sempre foi a de ter uma banda. De rock, simplesmente.
A idéia de gravar em conjunto suas composições individuais, algumas bem antigas, resultou no disco Rádio 2000. No fim de 2003 o disco foi lançado, na primeira apresentação ao vivo do StereoScope, acompanhados por Ulysses Moreira na bateria. O resultado foi uma verdadeira viagem pela cidade de Belém, atravessando mais sensações do que lugares, revelando uma introvertida e peculiar visão sobre a cidade de Belém e suas possibilidades (ou a falta delas) em relação ao sol, a chuva, o amor e a felicidade (ou a falta dela).
A repercussão do disco foi uma surpresa para a banda, sendo inclusive convidada para festivais independentes fora do estado. E foi em um desses festivais que, através da viagem da banda Eletrola a Brasília, o disco Rádio 2000 chegou às mãos do jornalista Fernando Rosa, criador do Site-revista-selo “Senhor F”. O destino da banda mudaria ali mesmo em Brasília, de onde Fernando Rosa, agora fã, entrou em contato com a banda, disponibilizando o próprio selo para a regravação do disco. Porém, o StereoScope já planejava um segundo Cd.

Fernando apostou na idéia, e em 2006 foi lançado o disco O Grande Passeio do StereoScope, gravado pela banda em Belém e mixado pela equipe do “Senhor F” em Brasília com direção artística de Felippe Seabra. O disco foi nacionalmente elogiado, sucesso de downloads na internet, e mesmo sem levantar muita poeira o StereoScope se tornou, ainda que continue a mesma banda aparentemente introspectiva abordando temas introspectivos para o delírio dos fãs (geralmente introspectivos) que “adotam” as canções como hinos pessoais.
O nome do disco previa a jornada que aconteceria em 2007, participando de festivais nacionais em Goiânia e Brasília, com apoio do fã e divulgador Fernando Rosa, que recentemente em seu site incluiu o disco Rádio 2000 em uma lista com os 50 discos independentes mais importantes dos últimos 10 anos, no qual a Eletrola também figura. E será em Brasília a gravação do terceiro Cd, no estúdio de Felippe Seabra – que também assina a produção do álbum. Um disco temático (e didático, talvez) sobre a principal motivação da banda, a de estar em/ter/ser um conjunto de Rock.
Atualmente acompanhados pelo baterista Daniel Pinheiro, ex-integrante da extinta banda Viridiana, o grupo já se prepara para a vida pós-Belém. Para a crítica especializada, o StereoScope é uma banda pronta para o circuito independente nacional, mas distante dos grandes centros. Para os fãs, é a ida de uma banda sem igual em uma cidade que com certeza será levada na bagagem, entranhada nas canções e na história da banda. E já dizia a letra da música “Cherole”, citada no início do texto, “E quem sabe se um dia ela pode voltar?”
San Assis é jornalista, fã de StereoScope e escreveu este perfil no ônibus, enquanto o rádio tocava a música “Cherole”.
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