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O Estado do Pará começou a entender as novas propostas no que se refere ao futuro das relações de mercado na música. O livre compartilhamento de arquivos pela internet, que há pouco mais de dez anos surgiu como um monstro para o mercado fonográfico, cresceu e apareceu e hoje é o responsável por umas das maiores crises no setor. O problema ainda pode ser muito maior se visto a partir da ótica do desrespeito aos direitos autorais de uma obra intelectual. Atentos a esses reluzentes sinais, músicos paraenses começam a desenvolver projetos que se baseia justamente no mercado digital. Uma proposta de, ao mesmo tempo, aliar-se ao “inimigo” e usar as armas dele em proveito próprio. Entrevistei o músico e jornalista, Nicolau Amador, que me contou um pouco sobre as bases deste projeto e explicou as perspectivar a respeito do seu desenvolvimento, acompanhe:
BELROCK: Esse projeto é recente? Quanto tempo de idealização até aqui?
NICOLAU AMADOR: A idéia surgiu no meio do rock. Eu trabalho mais diretamente com o Norman Bates e o Suzana Flag, que estão parados há quase dois anos produzindo seus próximos discos. Ralamos muito para produzir esses discos e a idéia do portal surgiu para promover esses trabalhos. Foram vários meses amadurecendo a idéia e acabamos chegando à conclusão de que os custos e tudo o mais, eram muito grandes para duas bandas independentes. Então decidimos dividir a idéia com os colegas e ampliar o projeto para beneficiar toda a música paraense, e não apenas o rock. A mobilização coletiva tem um mês, mas a idéia já surgiu há alguns meses. O lance do Radiohead (de disponibilizar o disco na internet para fã decidir quanto vai pagar) e os resultados sobre vendas digitais na internet foram fundamentais para concluir a idéia.
BELROCK: O desenvolvimento deste projeto acarretaria a uma série de exigências legais que pode ser visto como um fortalecimento da classe de músicos. Isto poderia ser interpretado, então, como uma maneira de "forçar" a profissionalização da classe ou seria mais um incentivo à essa profissionalização??
NICOLAU: Um pouco disso tudo. Para entrar no mercado digital, que é uma coisa que nenhum músico profissional pode abrir mão, é preciso cumprir uma serie de exigências legais: ter registro, ser associado ao Ecad e a OMB. Toda burocracia que a gente não pode mais ficar questionando sem fazer parte do processo, entramos e só depois exigimos nossos direitos, funciona como uma espécie de dever de casa.
BELROCK: Que bases têm este projeto? Quem o desenvolveu?
NICOLAU: Estamos em fase de divulgação do projeto e de organização de um fórum independente de música que vai propor ações para o desenvolvimento da economia da música no Pará. O projeto nasceu dentro do Movimento de Bandas Independentes do Pará (Mobip) que é uma associação de músicos de bandas independentes, um pouco diferente da Pró-Rock, que na sua última fase representava a classe rock. O Mobip envolve não somente músicos, mas empresários e produtores. Também reativamos a Pró-rock para que ela some na execução deste projeto. Paralelo a estas duas entidades, o projeto cresceu e ganhou adesão do Movimento Bafafá do Pará e de outros músicos.
BELROCK: O projeto já tem apoio de outras entidades do mercado de música além da classe de músicos?
NICOLAU: Temos o apoio e suporte do Ná Figueredo, que é uma pessoa que sempre deu apoio a todo e qualquer tipo de produção musical paraense e que, obviamente, não nos deixaria só nessa.
BELROCK: Em que outras instituições o projeto ainda procura apoio?
NICOLAU: Não poderíamos deixar de pensar em um apoio do Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura (Secult). Já apresentamos o projeto à diretoria da Secult e ele foi muito bem recebido. A partir daí, teremos que agregar e detalhar este projeto para só então entrar na fase de captação de recursos e acabar, assim, na execução do projeto.
BELROCK: Este sítio virtual será destinado apenas ao público local ou há uma perspectiva de se exportar música paraense através dele?
NICOLAU: Hoje o que importa para nós é entrar no mercado, essa a preocupação primordial. Agora, a maneira como vamos projetar a música paraense para o público regional e para o mundo, depende de uma questão de estratégias que vamos por em prática no tempo certo.
BELROCK: Como garantir a funcionalidade e usabilidade deste projeto frente a crise da indústria fonográfica, conseqüência do livre compartilhamento de arquivos pela internet?
NICOLAU: O comércio de música digital exige muitas estratégias e envolvimento do artista no projeto. O gerenciamento disso faz parte das estratégias que não podemos revelar no momento, mas posso afirmar que o artista tem que valorizar sua produção. Há um contra movimento de valorização dos direitos autorais que vai ganhar cada vez mais força e será determinante no futuro e no sucesso do comércio digital. Temos que estar preparados para isso.
BELROCK: Quem resolver vender suas músicas no site não poderá mais disponibilizar as suas músicas em sites como Trama Virtual, My Space etc.?
NICOLAU: Não será bem assim. Claro que os músicos terão que fechar contratos de exclusividade, garantir que a música não vaze antes dos lançamentos etc., mas vamos negociar downloads gratuitos, promocionais, enfim... O que posso dizer que distante das imposições das majors vamos poder desenvolver o potencial de criar nosso próprio mecanismo de comercio digital e, quem sabe, provocar até uma concorrência saudável ao mercado. É a que nos propomos neste projeto.
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