
Madame Saatan incendiando o Porão do Rock.
Sim. O BelRock estava no maior festival de rock do Brasil zoiando tudo o que aconteceu e agora a gente te conta.
Passei uns dias pensando em que tipo de cobertura fazer num festival onde os principais veículos de mídia estariam cobrindo e, inevitavelmente, muitos fariam um “show-a-show”. Foi aí que descobri como seria minha cobertura, até porque também foi apertada devido a agenda do Madame Saatan (sou produtor da banda). Vou falar dos bastidores e de alguns shows talvez.
Quando cheguei na frente do Mané Garrincha algo me chamou atenção: a pouca quantidade de carros. Pensei que não fosse ter ninguém. Entrei e tinha bastante gente já, aquela altura estava no palco a banda Almah do Edu Falaschi. O motivo da pouca quantidade de carro era a “Lei Seca”. Né que em Brasília parece que estão seguindo direitinho. Opa!
Entrei por trás (ui), pelo acesso de bandas. Fui fazer meu credenciamento e pude conhecer o time nota dez liderado pelo jornalista Marcos Pinheiro ao lado de Bianca, Felipe e cia. Recebi uma apostila gigantesca com todos os detalhes do festival. Coisa de primeira. Ao lado da sala da assessoria estava a da coletiva, os artistas saiam, pegavam um arzinho e se mandavam pra lá, bater aquele papo esperto com os jornalistas. Seguindo nosso passeio pelos bastidores, logo ao lado a sala da For Rock, a produtora do evento liderada pelo experiente Gustavo Sá. Seguindo ... Rádio Porão do Rock, que estava transmitindo ao vivo os shows, e a equipe de vídeo, que estava transmitindo para os telões e gravando o evento (abro um parêntese e parabenizo a edição do vídeo, tava ótima).

A francesa Papier Tigre.
Não a toa o Porão é considerado o maior festival de rock do país. A escalação estava de primeira, mesmo com alguns “poréns”. A estrutura era digna de qualquer grande festival gringo. Dois palcos gigantescos, lado a lado, com equipamentos de primeira: baterias Groovin, amplifcadores Laney, microfones Shure, ... só pra citar algumas coisas. E a luz? Quem levou seu técnico fez a festa, porque equipamento não era problema. Telões eram uns 4, sendo que um ficava no fundo do palco principal do principal (o que bandas como Suicidal Tendencies e Madame Saatan tocaram). O sonho de toda banda estava ali. Ou não.
Atravessei a “barricada” que dividia a área “VIP” do povão e fui olhar a housemix. Brincadeira né? Equipamento fudido. Pensei. Desculpa aí o palavrão. Rolava também a banquinha do Porão que estava vendendo o merchan das bandas, tenda de descanso da Petrobrás, posto médico, e uma praça de alimentação bem legal. Ao menos na hora que fui não me deparei com filas. E cheguei no palco Pílulas.
O Pílulas era uma zona de risco com dois pólos extremos. Ou a banda se dava bem, ou se dava mal. A proximidade do palco com o grande público facilitava a interação das bandas, não tinha nada de área VIP para separar. E isso é muito bom para o artista, principalmente quem não tem músicas tão conhecidas. Poderia se dar mal se o som do palco principal ficasse estrondosamente alto. O que acabou acontecendo com algumas bandas. Caso da excelente Tom Bloch, prejudicada pelo excessivo volume dos palcos principais, quem estava a frente do Pílulas não conseguiu ouvir nada do show deles. Uma pena.

Nem a idade derruba o Suicidal Tendencies.
E a área VIP? Acho que esse foi o assunto mais comentado nos bastidores. Explico. Na frente dos dois palcos principais tinha uma área VIP gigantesca (era grande mesmo) separando o público bagaceiro e feliz dos artistas. No meio ficava uma galera VIP e sem sal, mais o povo da imprensa fazendo o devido registro. Resultado? Muitas bandas sofreram com essa distancia. Pro negocio pegar fogo o povo tem que está junto do palco, fazer a roda de pogo ali em baixo, demonstrar o que é o roquenrou. E isso não rolou com a área VIP comportada demais. Uma sugestão para resolver essa situação é criar camarotes laterais/frontais para os VIP, já que entre os dois palcos tinha camarote de prima. Nem o Suicidal Tendencies conseguiu fazer os VIP se empolgarem. Acho que a única que se deu bem ali foi a Muse.
Sobre os shows. Vou destacar aqui o ótimo show do Matanza. É impressionante como eles se dão bem onde chegam, uma das poucas unanimidades nesse meio rock. O Suicidal, nem a idade pesa pra esses velhos garotos, quebraram tudo no palco. E o da banda paraense Madame Saatan, foi a primeira vez que uma banda paraense subiu ao palco do festival. Realmente não foi um dos melhores shows deles, mas fizeram bonito. O repertório foi calcado no disco de estréia. Duas coisas abalaram bastante a imagem da banda: o som mal mixado (pra fora) e a distância do grande público. Apesar da área VIP ter sido preenchida, e não ter ficado um grande vão como aconteceu com algumas bandas, infelizmente, os chiques não são de fazer a empolgação de verdade. A massa ficou distante e isso não é bom, como já disse anteriormente. E todas as bandas sentiram isso. O show dividiu opiniões, mas apesar desses detalhes a banda conseguiu levar um saldo positivo do festival, até um convite para voltar em Brasília. Logo mais coloco trechos de resenhas sobre o Madame Saatan.

Matanza e o seu show de bar.
O saldo do festival? Um público de 35 mil pessoas nos dois dias, ótimos shows, ótima estrutura, tudo na paz, sem registros de violência, ainda estava rolando um busão da Petrobrás levando e trazendo o público da rodoviária. Ah, vale ressaltar a pontualidade do evento. Uau! O que foi aquilo? Alguns entrando até antes. Confesso que nunca tinha visto aquilo. Alguns festivais precisam aprender com o Porão. A ONG Porão do Rock também conseguiu arrecadar cerca de 20 mil toneladas de alimentos, a serem doadas para o projeto Mesa Brasil do Sesc.
A próxima parada do BelRock será na Feira da Música de Fortaleza. Aproveito para agradecer ao convite do Festival Calango, mas devido a agenda apertada com o Madame Saatan não poderei cobrir, mas farei a busca pra saber como foi e publico aqui.

O show tecnológico do Muse.
Fotos por Patrick Grosner
Cobertura show a show: www.poraodorock.com.br
Repercussão Madame Saatan
"Diretamente de Belém, o Madame Saatan fez a sua estréia em Brasília dentro do Porão do Rock. A vocalista Sammliz definitivamente se destaca com seu tom grave e um tanto fora do que se espera de uma banda com raízes no metal. Em alguns momentos, ela chega a lembrar a Pitty - e, não, isso não foi uma crítica. As influência de blues, música brasileira e regional também acabam sendo muito bem vindas. O que à primeira vista parece meio estranho, vai fazendo cada vez mais sentido ao longo do show. Nos momentos mais lentos de “Vela”, a quinta música, por exemplo, é possível se questionar por ter achado aquilo tudo estranho. De saia curta e curvada sobre a caixa de retorno, ora se preocupando com a saia, ora não (alguém aí se lembra do Luxúria?), Sammliz ainda fez a alegria de alguns fotógrafos mais indiscretos. Coisas do rock… dos meninos, pelo menos."
Por Laura B. para o site Porao do Rock
"O Porão trouxe como slogan neste ano, a melhor seleção de todos os tempos, creio que é válido e totalmente na rota. Escalando o time do festival ficaria assim: Madame Saatan no gol, Canastra e Supergalo na defesa, Matanza e Muse nas lateirais, Mundo Livre e Supergalo na cabeça de área, Vai Thomaz no Acaju e Autoramas nas meias. Pitty e The Pro no ataque. Esse 4-4-2 foi insuperável e proporcionou bons momentos a todos os que tiveram presente. Falando em presença, a galerinha de Brasília merece cartão vermelho no primeiro e amarelo no segundo dia."
Site na Rota do Rock
"Neste final de semana, qualquer brasiliense que gostasse de guitarras e não estivesse vendo o show do REI Roberto Carlos estaria do outro lado da pista norte do Eixo Monumental assistindo à edição 2008 do Porão do Rock, festival na capital do país e reino do funcionalismo público (quatro dos cinco patrocinadores do evento eram estatais, inclusive). O primeiro dia teve pouco público e foi bastante fraco, com um Suicidal Tendencies tocando para tiozões de 40 anos - a platéia estava lotada de tiozões, tiozinhos e outros donos de Corollas -, um MQN fazendo o mesmo show de seis anos atrás, um DFC que se divertia no palco mas não fazia a platéia ir além de um sorriso amarelo. Mas houve duas exceções: uma delas foi o Madame Saatan, do Pará: pense num Pantera liderado pela Joelma, do Calypso, inclusive com o mesmo rebolado - e isso é um elogio. A outra foi o Matanza, que mesmo com um repertório "de bar", segurou bem a apresentação no festival, para uma platéia não muito familiarizada com seu repertório."
Polandi para o site Popload do Lúcio Ribeiro.
"Vindo de Belém, o MADAME SAATAN fez um show bem performático, apesar do som um pouco deslocado em relação às outras atrações - eles misturam ritmos rock, regionais e metal, comandados pela vocalista Sammliz. Aliás, a performance da cantora lembrou bastante outra atração que já passou pelo palco do Porão do Rock, o Luxúria. Com uma presença de palco imponente e, em alguns momentos, não se importando com a minissaia balançando ao vento, fazendo a alegria dos rapazes na área Vip. Talvez se fossem escalados para tocar no dia seguinte, rendessem ainda melhores frutos. Por outro lado, poderiam ser prejudicados pelas comparações com uma das headliners do dia: Pitty. Vai saber."
Por Marcelo Ianuk para o portal RockPress
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