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O TEATRO MÁGICO ESTÁ DE VOLTA À BELÉM

[21.12.09] [ 11:30] - Por: Thiago Viana

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Fernando Anitelli e sua trupe encerram a programação de natal do Hangar

O Teatro Mágico é um projeto musical que reúne elementos culturais da poesia, literatura, circo e teatro. A trupe foi formada em dezembro de 2003 e de forma independente, sem a ajuda de nenhum meio midiático massivo ou campanha publicitária, conseguiu alcançar números que muitos artista consagrados ainda não conseguiram. Em seis anos de história e com dois CDs lançados, já foram quase 200 mil cópias vendidas e a trupe comanda um movimento de democratização dos bens culturais, o Movimento de MPB (música para baixar). Estiveram em Belém no último mês de novembro, encerrando a XIII Feira Pan-Amazônica do Livro. O show reuniu aproximadamente 8 mil pessoas ao redor do deck do Hangar – Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. O sucesso foi tamanho que a trupe foi imediatamente convidada para a programação de natal do Hangar e se apresentará nesta terça (22), a partir das 22h, com entrada gratuita. Em novembro o Belrock conseguiu uma entrevista com o chefe da trupe, Fernando Anitelli, confira:

BELROCK: Como surgiu a trupe Teatro Mágico, há seis anos?
Fernando Anitelli: Quase todos nós somos oriundos de sarais, freqüentávamos muitos sarais que é justamente aquela possibilidade que a gente tem de compartilhar, de agregar e formatar conteúdos de uma maneira muito livre e espontânea e neste ambiente a gente sempre acaba encontrando muita gente que tem o mesmo timbre de arte que você, ou até mesmo timbres diferentes, mas que estão dispostos a dialogar e fomentar uma mesma questão musical. Então foi dentro deste propósito que surgiu o Teatro Mágico e é dentro dele que continuamos a levar o nosso circo e a nossa arte há seis anos.
 
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BELROCK: Como ‘viralizar’ sem virar jabá?
Anitelli: Sendo muito honesto com o seu trabalho e com o seu público. Durante mais de 20 anos os artistas ficaram dependendo do bom humor de uma rádio, de uma TV ou de um jornal para ele poder se manifestar e poder entrar neste sistema de divulgação engessado. Nós existimos há seis anos e sempre que mandamos nosso material para as rádios e TVs, sempre é cobrado o ‘jabá’, essa é a lei. Mas descobrimos que usando os sites de relacionamento poderíamos nos agregar mais ao nosso público e aí esse público acaba se tornando não fãs, e sim militantes do seu projeto. Então a melhor maneira é justamente essa, ser claro e explícito com o seu público.

BELROCK: Vocês já lançaram dois CDs. Como se dá o processo criativo das músicas e quais as principais diferenças entre o ‘Entrada para raros’ e o ‘Segundo Ato’?
Anitelli: Neste primeiro momento, a idéia do Teatro Mágico é fazer uma trilogia. O primeiro CD fala um pouco sobre o lúdico, o sarau, o colorido, a poesia, a questão de se misturar tudo em uma coisa só. Já no segundo, as letras são mais densas, existem críticas em relação à sociedade, à mecanização do homem no trabalho. O projeto todo deu uma amadurecida, é como se um menino tivesse um pôster do ‘Saltimbancos’ no quarto e aí, com o passar do tempo, ele tirasse e colocasse o do ‘Laranja Mecânica’. Foi dentro deste mesmo propósito de evolução de personagens que este segundo CD foi concebido.

 
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BELROCK: Vocês estão no projeto do ‘Trama Virtual’ do download pago para o artista e mesmo assim vocês ainda vendem muitos CDs. Vocês conseguem ter a visão do que é baixado e do que conseguido com a venda de discos?
Anitelli: O disco físico existe como uma maneira de se aproximar do público e ter junto ao público materiais com preços acessíveis.  Tudo o que você tiver referente ao seu projeto (CD, DVD, adesivo, camiseta etc.), você pode minimamente montar uma barraca e deixar isso disponível a preços acessíveis para o seu público e foi dessa maneira que conseguimos vender 150 mil cópias do primeiro disco e, com apenas um ano e meio desde o lançamento do segundo, já foram mais de 40 mil cópias vendidas e isso tudo mesmo tendo todo nosso conteúdo disponível na internet. Isso prova que se você deixar a sua música na internet isso não vai atrapalhar em relação à direitos autorais e coisas assim, pelo contrário, só vai ajudar com que o público fique mais próximo do seu trabalho.
 

BELROCK: O Movimento de MPB é uma ferramenta para deixar isso mais claro para os artistas?
Anitelli: Sem dúvida. Hoje temos a possibilidade de existir através da internet e quem estuda ou estudou comunicação sempre ouviu falar que a comunicação é o quarto poder e, de repente, este poder está nas mãos de uma grande parte da massa e aí muita gente usa pra fofocar, pra se divertir, mas tem muita gente já se articulando para trabalhar dentro de um mesmo conceito.   É importante dizer que no Brasil nenhum músico nunca ganhou dinheiro com direito autoral, a não ser algumas exceções como Roberto Carlos, alguns cantores de música sertaneja e compositores de trilhas para novelas da TV Globo, o resto da galera sempre foi ralando, fazendo o trabalho de formiguinha, viajando, fazendo show e no final as gravadoras e editoras sempre levando a maior parte da porcentagem do próprio direito do artista. Então agora é o momento de repensar e de trabalhar melhor essa questão do consumo e da economia da música e o Música Para Baixar vem discutir exatamente isso.

 

BELROCK: O que o movimento propõe?
Anitelli: Primeiramente, todo artista que tem a concepção de deixar seus bens culturais acessíveis é convidado a se articular com a gente. O momento é justamente de se poder discutir ECAD, ordem dos músicos e flexibilidade nos direitos autorais.
 
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BELROCK: Mesmo na cena independente, o Teatro Mágico foi considerado pela Folha de São Paulo como o melhor show da atualidade no Brasil. Como funciona, para os diferentes públicos, essa junção de música, teatro, circo, literatura e poesia?
Anitelli: Funciona bem diferente mesmo. Em algumas regiões do país, as pessoas não sabem se batem palma ou se esperam a próxima cena. Já em outras, o público pula e canta com a gente o show todo, é uma loucura. Nesta questão de melhor show, isso não nos vislumbra. O que a gente gostou é que foi uma escolha popular de uma maneira livre para a Folha e ela publicou. Mas eu sempre costumo dizer que eu estou sempre insatisfeito com o projeto, no sentido em que se a gente nunca se sentir incomodado, a gente acha que tá bom, então é dentro desse ‘nunca estar satisfeito’ que tentamos sempre melhorar. A grande sacada é estar disposto a melhorar. A pensar que personagem a gente vai vestir hoje? Que roteiro a gente vais seguir?

BELROCK: Embora você já tenha conhecido a cidade durante o Fórum Social Mundial, em janeiro, esta é a primeira vez que a trupe vem à Belém. Como foi a recepção do público?
Anitelli: A primeira vez que eu vim à Belémi, foi por ocasião do Fórum Social Mundial onde eu toquei pra mais de 2.500 pessoas só na voz e violão. Conheci o pessoal do Casarão Floresta Sonora, do Coletivo Rádio Cipó e do Juca Culatra e Power Trio. Agora que voltamos a recepção foi imensamente carinhosa. Um pessoal da trupe realejo foi buscar a gente no aeroporto com faixas e cartazes e isso é muito legal porque nós os tratamos como uma extensão da trupe. Não os tratamos como fãs e nem gostamos de ser tratados como ídolos e as pessoas que gostam e acompanham o nosso trabalho sabem disso. Nosso compromisso é com o público, não temos rabo preso com rádio, jornal, nem nada, e o nosso público se vale da nossa arte para visitar hospitais, orfanatos, etc. E nós achamos isso o máximo, pois é a nossa oportunidade de levar isso adiante.

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SERVIÇO
NATAL HANGAR - Show de ‘O Teatro Mágico’
Terça (22), a partir das 22h. Entrada Franca
Pede-se a doação de lençóis, toalhas ou fraudas.
Informações: 3344.0100 / 3344.0101 / 3344.0102

 

Fotos por Jaime Souzza

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