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Cerejas, Fuscas e 90’s

[02.02.07] [ 04:44] - Por: Mariângela Carvalho

(SÃO PAULO/SP) - A música parece começar a viver um novo revival. Depois das manias anos 60, 70 e 80, agora é a vez dos 90. Com algumas bandas apostando nas influências da década passada, começam a aparecer propostas bem interessantes, resultadas de um período onde o grunge atingiu seu ápice, o britpop foi tendência mundial e o indie rock caiu no “gosto popular”.

Com essas referências, um dos grupos mais legais que surge é o Sweet Cherry Fury, de Santos (SP), atualmente um sexteto com cinco garotas e um cara. De 2004, quando a banda se formou, até o final do ano passado, o Sweet Cherry Fury lançou a demo “Skirts Show Rock”, venceu o festival NoCapricho e foi até Londres, onde conseguiu o terceiro lugar no concurso “The Next Big Thing”, da rede BBC. Deixando para trás concorrentes do mundo inteiro, a banda mostrou que também pode ter o selo de exportação carimbado em sua música.
 A faixa que os levou até lá foi “Cold Blond Body”, gravada nos estúdios da Trama enquanto participavam do Banho de Estúdio, quadro do programa de TV do Trama Virtual. A faixa em breve vira clipe e os planos para a gravação do primeiro CD já estão sendo feitos.

Os integrantes Marcella Marinelli (vocal), Nika (baixo), Guilherme Peres (guitarra), Marina Ginde (guitarra), Isabela Ferro (teclado) e Mariana Salomão (bateria) já se decidiram pelo nome do disco, Queen’s Way, e em breve lançam um trabalho com ótimas canções do mais puro girlie indie feito por bandas como Muffs, Veruca Salt ou meninas como Liz Phair.

Aos moldes das “garotas cerejinhas” que pipocaram no início do ano 2000, as Sweet Cherry têm cabelos descoloridos, pose e até atitude. As músicas, de fácil digestão, cabem perfeitamente na nova geração MySpace de bandas e servem de belo descanso para ouvidos já cansados de mesmices.
 Confira a entrevista com a baixista Nika.

Mariângela Carvalho - O que é o Sweet Cherry Fury?

Nika - Sweet Cherry Fury é uma banda de cinco meninas e um menino que faz uma música despretensiosa e divertida que mistura pegadas eletrônicas com uma levada rock bem variada.

MC - O som lembra muito o rock de garotas dos anos 90. O que vocês escutam?

Nika - Comparações? Já fomos comparadas com L7, Hole, Bikini Kill, Sonic Youth, etc, mas temos como influência bandas de inúmeros anos e gêneros como New Order, Sahara Hotnights e David Bowie.

MC - Embora tenha esse lance dos 90, vocês também são modernosos. Como são os dois lados?

Nika - Modernosos? Ah, a gente gosta de misturar o que é bom. Pega a influência de todos e faz o que a gente quer ouvir. Gostamos de coisas antigas como Johnny Cash até coisas recentes como Dirty Pretty Things (banda do Gary Powel, que nos elogiou bastante em Londres).

MC - Sobre o lance da idade de vocês e o público, vocês tiveram a oportunidade de participar e vencer o festival NoCapricho, em São Paulo, ano passado. A maior parte dos presentes – composta por adolescentes, público alvo da revista – elegeu vocês como melhor banda. Como vocês acham que conquistaram este público?

Nika - O fato de sermos novos, até agora, só ajudou o nosso trabalho. As pessoas acham interessante porque não fazemos um som hiper trabalhado, mas fazemos algo bem feito e agradável, que atinge diferentes faixas etárias. É um segmento ainda pouco conhecido no meio da música no Brasil. Conquistamos o público pela diversidade de estilos que compõem nossas músicas, pelo visual talvez... E acho que principalmente pelo carisma.

MC - Do concurso da BBC vocês saíram com o terceiro lugar, tendo vencido um sem-número de candidatos do mundo todo. Como foi a apresentação para os jurados?

Nika - A viagem foi ótima, a apresentação então, melhor ainda. Foi uma experiência única poder compartilhar momentos com pessoas tão influentes, em lugares únicos, assistir a shows de bandas novas como o Futureheads em casas históricas na capital Inglesa que Beatles e Queen já tocaram, tocar em estúdios ótimos, receber críticas e comentários de grandes nomes da música como Gary Powell, Willian Obbit, JAMES BROWN... Sem contar todos os amigos que fizemos na equipe e das outras bandas, e o tamanho da divulgação que tudo isso teve mundialmente.

MC - Vocês receberam elogio de gente grande como o James Brown. Como foi?

Nika - Cara, ser elogiado pelo James Brown foi uma coisa inimaginável. Tínhamos acabado de chegar na área onde estavam os outros músicos após tocar, estávamos ainda meio que comemorando a boa apresentação com as outras bandas quando começaram os comentários (acompanhávamos tudo de lá de dentro por um radinho) da Courtney Love e do J.Brown. A sala inteira ficou parada e sem reação, pois ninguém esperava que esses grandes nomes estivessem acompanhando. Mesmo J.B. não sendo um "exemplo" de vida, o cara fez um puta som a vida toda e levou pro mundo um novo conceito de música, o soul. O mundo inteiro se comoveu com a sua morte, principalmente os desse meio, mas podemos dizer que somos muito sortudos de poder ter feito o cara ouvir a nossa música, nem que fossem três minutos de sua vida. Coisa que não vai mais acontecer com ninguém... Fato histórico.

MC - Na imprensa gringa, referiram-se a vocês como um sexteto de garotas do Brasil que compartilham uma paixão pelo rock and roll. Tirando a generalização do “garotas”, o Sweet Cherry Fury é isso mesmo, paixão pelo rock and roll?

Nika - Sweet Cherry Fury é sim paixão pelo rocknroll. A gente faz música porque se diverte com isso, por isso é uma paixão. Uma brincadeira que por um acaso virou coisa séria para o mundo inteiro (mas continua com o clima de brincadeira em cima do palco, ou em um estúdio de ensaio). Somos brasileiros, o que torna essa raiz musical ainda mais aflorada. Meus pais, por exemplo, escutam de tudo: Led Zeppelin, Beatles, Sinatra, The Corrs, Chico, Clara Nunes, Toquinho, Martinho da Vila, Jorge Aragão, U2, Los Hermanos, Legião... Por incrível que pareça até Fatboy Slim! É uma influência de avós, de pai, de mãe, de vizinho, de amigos, da mídia, etc. Juntamos de todas essas nossas raízes e tiramos o melhor de cada para fazer o nosso som, que é único e rocknroll, sem um segmento definido.

MC - Qual a impressão que vocês tiveram das bandas concorrentes no festival?

Nika - Sobre Londres nós só temos a elogiar. Ficamos MUITO amigos da banda MLK and the Dreamers e do Stefan Abigndon & Mia, mas nos demos bem com todos. A vencedora, Silva, é uma graça, só não tivemos muito contato pelo fato dela não falar inglês. Nic, Mishkini e Skagz também super legais. Sobre música e preferências, ficamos realmente fãs do Skagz e do Stefan (que está em todas as minhas top lists!). Todos foram bem solidários, todos torciam por todos e aproveitaram Londres como um aprendizado (e uma puta de uma viagem), não só como um concurso.

MC - Como vão os planos de gravar o primeiro clipe, “Cold Blond Body”?

Nika - Sobre o clipe já tivemos várias idéias, mas é surpresa.

MC - Vocês devem começar em breve as gravações do primeiro disco e já escolheram o nome: Queen’s Way. O que esperar deste trabalho?

Nika - O cd já está em andamento, já passamos pelo estúdio e gravamos algumas coisas e dentro de algumas semanas vamos encarar o estúdio realmente 24h por dia e trabalhar duro. Está no capricho, pra sair o mais perfeito de acordo com o que imaginamos. As fotos do encarte já foram tiradas e a arte está quase finalizada...

MC - E essa nova onda de “exportação” de bandas nacionais? O que vocês acham?

Nika - Acho ótimo! Além de abrir a cabeça do mundo para o nosso país, dá a chance de bandas como nós serem reconhecidas mundialmente.

MC - O que vocês ouvem de nacional?

Nika: Los Hermanos (eu acho que é a favorita da maior parte dos integrantes), mas ouvimos desde o velho Cartola até bandas de rocknroll como o Forgotten Boys, por exemplo.

sweet_cherry_fury_2


MC - Qual o lance do Fusca?

Nika - O fusca não tem fundamento. Simplesmente a Marina tinha um amigo que brincava com o prefixo "Sweet Cherry" para todas as coisas, inclusive "Sweet Cherry Fusca", até que um dia vimos um fusca vermelho parado na frente do ensaio e tivemos que tirar umas fotos com ele. Apenas isso... pegou.
 

www.myspace.com.br/sweetcherryfuryband


*Mariângela Carvalho é nossa colaboradora de São Paulo, também escreve para a Revista Urbanaque (www.urbanaque.com.br)

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