Ano: 2007
Gênero: Rock
Gravadora: Warner
Muitas vezes os papos sobre mudanças de rumo e sonoridade nova não passam de blefe. Mas o Linkin Park estava falando sério sobre inaugurar uma nova fase na carreira ao lançar "Minutes to midnight". Sai o nü-metal para as massas, entra o pop para as massas.
Para uma banda que vendeu mais de 30 milhões de cópias com uma mistura de hip hop e rock, qual é o passo seguinte? Mike Shinoda, o cérebro da banda, hoje com 30 anos nas costas, sabia que o sexteto californiano não podia se bancar mais (só) em cima de suas rimas e de guitarra pesada.
E para definir o futuro da carreira do Linkin Park, "Minutes to midnight" trouxe um claro raciocínio mercadológico: colocar em cena os elementos que fazem uma banda ser mega (o U2 é o modelo) e que estimulam aqueles que compram apenas um ou dois CDs por ano - é essa parcela de público que faz a diferença nas vendagens.
Assim, a banda que à época de "Meteora" (2003) confessava seu desconhecimento sobre política e tirava essa responsabilidade das costas, hoje se preocupa com a confusão geral que ronda o mundo - em um momento mais favorável para entrar na turma que critica Bush. É a cartilha Bono do roqueiro engajado - e que freqüenta a mídia de hora em hora - mostrando seus primeiros sinais.
Na parte sonora, o Linkin Park tornou o seu rock mais palatável para uma audiência maior. Recrutou o midas Rick Rubin, produtor que ajuda meio mundo a garantir discos de platina e ganhar estatuetas do Grammy.
Mas o começo de "Minutes to midnight" é enganoso: "Wake", mais uma vinheta de introdução, tem bem a cara do velho Linkin Park. "Given up" é o momento de peso do disco, algo como para se precaver das acusações de que o grupo suavizou sua música.
Logo a seguir, "Shadow of the day" tem todo o jeito daquelas power ballads que tanto apelam às adolescentes em momento de chateação de suas pobres vidas. É difícil imaginar tantos clichês juntos em uma música só, e só mesma essa faixa etária para cair numa dessas. "Valentine's day", com letra sobre um Dia dos Namorados passado em solitário, repete a fórmula. Dessa metade de "Minutes to midnight" salva-se "Bleed it out".
E para o pessoal mais velho? "In between" soa muito, mas muito parecida com Coldplay e pode ganhar alguns trintões. Se algo surpreende, é Mike Shinoda (nesta faixa ele assume os vocais principais, função dominada por Chester Bennington) conseguir encarnar tão bem um Chris Martin - e, aqui, isso não é exatamente um elogio.
A passagem de fases na carreira não é algo fácil. O Linkin Park optou por caminhos já consagrados - mas diferentes dos percorridos por eles - para tentar ampliar o seu público. O risco, no entanto, de não sensibilizar os novos e ao mesmo tempo perder os velhos fãs pode ser grande.
TRACKLIST
1. Wake
2. Given Up
3. Leave Out All The Rest
4. Bleed It Out
5. Shadow Of The Day
6. What I've Done
7. Hands Held High
8. No More Sorrow
9. Valentine's Day
10. In Between
11. In Pieces
12. The Little Things Give You Away
Por Shin Oliva Suzuki (G1)
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