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A EUTERPIA - Banda da Semana

[14.05.07] [ 08:44] - Por: Thiago Viana

Após quase dez anos de carreira a banda A Euterpia lança disco, participa de coletânea pelo país, festivais e agora é a nova Banda da Semana no BelRock. Confira entrevista exclusiva feita por Thiago Viana.

BELROCK – No show do Café com Arte (pré-lançamento do disco) você falou que o disco durou quase oito anos pra se concretizar, por que demorou tanto?

MARISA BRITO – A Euterpia tem 9 anos de vida e sempre foi um sonho gravar um disco, claro. Acontece que precisávamos amadurecer musicalmente e profissionalmente e depois disso ainda tem a outra questão: dinheiro, apoio pra realizar o projeto etc. Existe um custo muito alto pra se fazer um disco de boa qualidade. Queríamos fazer certas coisas no nosso CD que não dava pra fazer sem grana nenhuma, a não ser que tivéssemos um estúdio em casa, o que não era o caso (risos). Tivemos duas cartas de leis de incentivo nas mãos e mesmo assim não conseguimos patrocinador para o disco. Graças ao apoio, principalmente do Ná Figueredo, da Na Records que é o nosso selo, isso foi possível.

BELROCK – O Ná esteve com vocês desde o início ou foi só depois do apoio dele que foi possível realizar o disco? 

MARISA BRITO – Ele sempre nos ajudou nos shows de alguma maneira, assim como ajuda a todas as bandas, mas foi quando ele decidiu nos lançar pelo selo dele que a coisa realmente caminhou. Não adianta lançar um disco se você não tem como distribuí-lo, não adianta ficar com um monte de caixas dentro de casa (risos). Foi então que ele conseguiu nos encaixar no catálogo da Tratore, que distribui nosso disco nacionalmente e hoje qualquer pessoa em qualquer lugar pode comprar o disco já que ele está à venda nos principais sites de compra daqui, como o submarino, por exemplo, e em lojas pelo Brasil. Foi importante também o apoio da Sol informática e da loja Mito que continua nos apoiando sempre.


BELROCK – Nem tudo o que vocês têm de composição foi para o disco, qual critério vocês utilizaram para selecionar o que deveria ir para o disco?

MARISA BRITO – Olha, essa foi uma parte delicada porque temos umas 60 músicas pelo menos, ou até mais, então buscamos fazer um apanhado geral pela história da banda, buscamos as músicas que hoje retratam a nossa cara, nossa identidade, aquelas que nos representam bem no atual momento.

BELROCK – 60 músicas????? Meu Deus!!! É bastante coisa pra escolher só 14.

MARISA BRITO – (risos). Sim, sim... e temos outras tantas sendo feitas.

BELROCK – E as faixas compreendem a que momento da banda? Temos músicas de que épocas?

MARISA BRITO – Temos músicas de várias épocas, desde a primeira música da banda, até a mais recente que é “Revirado o sótão”.

BELROCK – Qual a primeira música da banda?

MARISA BRITO – Veneza. Acho que começamos bem porque eu acho essa música especial. E você sabia que fui chamada pra banda por causa dela?

BELROCK – Como assim? Conte isso melhor.

MARISA BRITO – A banda começou com outro vocalista, eles já tinham algumas músicas, mas sempre acharam que “Veneza” ficaria melhor numa voz feminina, então começaram a procurar uma mulher pra cantar...

BELROCK – E como descobriram você?

MARISA BRITO – Foi uma história doida. Eu era um bicho-do-mato, morta de tímida (risos) então uns amigos dos meus irmãos faziam parte da banda, um deles vinha muito aqui em casa e me ouvia cantar. Sempre tive mania de cantar pela casa o dia inteiro, passo o dia cantando, desde criança. Então ele gostou da minha voz e me convidou pra um ensaio. Eu fui quase morrendo de tão nervosa e tô na banda até hoje (risos). 

BELROCK – Quem são os compositores das músicas do disco?

MARISA BRITO – Antônio Maria Novaes, Tom Salazarcano, Márcio Pato e tem composições de antigos integrantes como Bruno Nogueiro, Rogério Nishizawa e Rubens Moraes Jr.

BELROCK – Dá pra fazer um paralelo entre a formação original da banda e a atual?

MARISA BRITO – Olha, a primeira formação nasceu com um grupo de poetas que passaram a musicar suas poesias. Ainda não havia uma preocupação tão grande com questões profissionais da música, digamos assim... Era uma maneira de reunir os amigos e colocar pra fora suas idéias e emoções. Não quer dizer que não levássemos a sério... Não é isso...

BELROCK – Uma distração? Pra espairecer? Seria isso?

MARISA BRITO – Não era só isso... Era uma celebração... Sei lá. (risos) Difícil de explicar mesmo. Já a atual formação buscou a profissionalização, tanto que hoje todos nós vivemos exclusivamente da música.

BELROCK – A banda existe desde 1998, é isso? Você entrou em que ano?


MARISA BRITO – 1999.

BELROCK – Existe desde 99 ou você entrou em 99?

MARISA BRITO – Existe desde 98 e eu entrei em 99. O interessante é que nunca tinha pensado em ser cantora na minha vida.

BELROCK – Então foi a partir daí que você enveredou pro lado da música?

MARISA BRITO – Foi sim, eu entrei na banda com 15 anos, fase onde a gente não sabe bem o que quer e foi com ela que percebi que a música era minha vida, comecei a estudar a fundo.

BELROCK – Já que você entrou em 99, quase no começo de tudo, certamente já tem muito de você na banda.

MARISA BRITO – Sim, sim. Com certeza.

BELROCK – Por falar na banda em si, ainda não a apresentamos. Vocês são quantos? E o que faz cada um?

MARISA BRITO – Somos cinco. Antônio Novaes toca violão e compõe. Márcio Pato é o baixista e compões também. Tom Salazarcano é guitarrista e também compõe e tem o Carlos Canhão que é Baterista.

BELROCK – E mais você no vocal, não é isso?

MARISA BRITO – É, e eu que canto (risos). Não faço músicas, mas tenho minha contribuição nas melodias... Muitas vezes o Antônio constrói a música, mas a melodia ainda tá um pouquinho incerta e eu vou adequando... as vezes faço algumas mudanças nelas, coisas sutis. 

BELROCK – Qual relação vocês cinco mantém fora do âmbito “banda”, do meio profissional?

MARISA BRITO – Somos amigos acima de tudo. Houve períodos onde vivíamos grudados, hoje nem tanto, mas temos uma relação de carinho e amizade, como uma família mesmo... Nos amamos. Eles são como irmãos pra mim.

BELROCK – Trabalhos futuros?

MARISA BRITO – Bem, vamos continuar trabalhando esse ano na divulgação do CD e esperando confirmações pra tocar fora de Belém. 

BELROCK – O que a banda nutre a partir de agora com um CD prontinho sendo distribuído pro Brasil inteiro?

MARISA BRITO – Caramba! O sentimento é o melhor do mundo, de extrema felicidade, satisfação e gratidão. Vamos tocar com todos esses sentimentos, com todo o nosso amor por todas as pessoas que fazem parte de nossas vidas, dessa trajetória. É a celebração e agradecimento a todas as pessoas que curtem nosso som, que cantam junto e que nos incentivam e nos animam a continuar sempre.

BELROCK – No segundo show de lançamento deste cd, o que trouxe de diferente do show que aconteceu no Café com arte?

MARISA BRITO– O show do Café com Arte estava incompleto, esse do Margarida Schiwazappa trouxe os arranjos originais do disco, com as participações especiais (Alcir Meireles - flauta, ele é o produtor musical do disco, também temos Marcus Puff - sax, e Arthur Alves - cello).

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