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BANDA DA SEMANA - DESTRUIDORES DE TQUIO

[30.03.08] [ 06:07] - Por: San Assis

A década é 60, a cidade é a lendária Tóquio. A monotonia do crescimento industrial aprisiona a população em muros de concreto. Cenários perfeitos para serem destruídos por monstros espaciais invasores aparentemente estressados, porém carentes de atenção e afeto, e que no fim do episódio sempre chamavam atenção para algum perigo da vida moderna, como preservação ambiental (ou crescimento urbano desordenado).

Quase meio século depois, na igualmente lendária Capanema, uma gigantesca fábrica de cimento também endurece a paisagem do pacato município, situado em uma encruzilhada de rodovias e fortemente influenciado pela cultura nordestina. E foi com a proposta de derrubar este cenário de estagnação cultural que surge a banda "Destruidores de Tóquio", sem tanto vandalismo, mas igualmente invasores em uma terra musicalmente dominada por bandas de forró com nomes de medidas profiláticas contra dor de garganta.

Alex Lima (baixo e voz), Nazo Glins (guitarra e voz) e Messias Lima (bateria) tocam juntos desde a primeira apresentação da banda em 2002, para o público de uma boate GLS nos arredores do cemitério da cidade. Era um sinal do que estava por vir. Botecos, prostíbulos e inferninhos em geral foram os primeiros palcos dos rapazes, então influenciados por Stooges, Kinks, Altemar Dutra e claro, pelos ambientes não convencionais de suas apresentações, resultando em letras que discorrem sobre os mais desprezíveis estados da alma humana, como a depressão, o sadomasoquismo e o amor.

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Sem cena autoral local, sem divulgação, sem público e sem muita opção, o jeito era enfiar o pé na estrada (literalmente, devidos às condições das mesmas após as chuvas) e mostrar o trabalho nos municípios vizinhos. Foi quando a DDT partiu para o interior do estado tocando nos botecos, prostíbulos e inferninhos em geral de cidades como Primavera, Santa Maria, Bragança, Peixe Boi, entre outras, ganhando notoriedade com a ajuda da internet, inclusive na capital do estado. A divulgação melhorou, bem como as estradas, os locais de apresentação e os equipamentos da banda, agora sob a influencia de Velvet Underground, Neutral Milk Hotel e Arnaldo Baptista.

Mesmo com as apresentações em Belém, como na abertura do show dos Replicantes, em 2005 no Parque dos Igarapés, no Memorial do Rock em 2006 e abrindo para o Rock Rocket no Circuito Roquenrou em 2007, a DDT ainda busca o reconhecimento e a formação de público em sua terra natal, sem se deixar desmotivar pela falta de apoio ao rock autoral e pelo significado inspirador do nome da cidade (Caa panema = terra infeliz). A própria banda promove eventuais apresentações com outras bandas do município, sempre incentivando a profissionalização das mesmas, assim como a gravação de demos e divulgação na internet.

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A principal proposta da banda em Capanema é o projeto "Nada de Cover", um evento com a intenção de reunir bandas da cidade e arredores dispostas a desenvolver trabalho autoral. A primeira edição aconteceu em novembro de 2007 e foi um sucesso, destacando além da DDT as bandas de Capanema Harrisons e Rota 14 e a banda Octoplug's do município de Peixe Boi. O evento foi realizado na única boate que abria espaço para o rock independente, mas o estabelecimento não existe mais.

A banda já planeja a segunda edição do evento, propondo um debate sobre a produção independente na música com a participação de bandas e produtores de Belém. Além do "Nada de Cover", entre os projetos da DDT está a participação na coletânea "Rock Soldiers", do selo Gaúcho UGK Discos a ser lançada em 2008, além dos já famosos videoclipes produzidos pela própria banda, inclusive concorrendo com o mais recente (Homem Invisível) ao prêmio Ná Figueredo de Melhor Videoclipe Paraense.

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A atuação fora do palco é uma marca registrada da banda. Principalmente em uma fase onde as bandas de destaque local se deslocam aos grandes centros do país em busca de visibilidade, a DDT consolida sua posição sem deixar de atuar no interior do estado, uma contribuição mais útil à cena musical paraense no que diz respeito à formação de público, e principalmente, à destruição das sólidas estruturas já consagradas da música comercial.

Discos

A Vaca Foi pro Brejo- (EP demo) independente- 2003
Pirlimpimpim- (EP demo) Independente- 2004
Sacanagem e Show de Horrores- demo Independente- 2005
A Celebração da Autodestruidoção-Independente-? 2006
Música para Suicídio- Ná Records- 2007
Rock Soldiers (Coletânea ) UGK Discos- 2008

Vídeos

Amor e Restos Humanos-2006
Pra você Morrer Logo- 2006

Música para suicídio- 2007
Plástica natural- 2007

Homem Invisível- (indicado ao 3º prêmio ná de vídeos paraenses) 2007
I Wanna Be your Dolly- 2008

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