Para estrear o quadro Banda da Semana BelRock convidamos
uma que tem um tempinho de estrada, os meninos de 21 anos da Delinquentes.
Lançaram recentemente um clip e agora preparam o novo disco, além
de muita história pra contar. Para saber o que esses “garotos”
andam aprontando, conversamos com o líder-mor da banda, Jayme Katarro.
São mais de 20 anos de carreira, como vocês se vêem
depois de tanto tempo? Mudou muito a proposta inicial da banda?
Hoje acho que nós conseguimos nos ver como uma banda que conseguiu amadurecer dentro da nossa própria proposta. Não mudamos nossa essência de continuar no underground, mas adaptamos a mesma à nossa realidade atual. Seria ingênuo de nossa parte manter a mesma idéia de som depois de tanto tempo, até porque houve mudanças na formação aos montes, e sempre fomos abertos a que cada um que entrasse trouxesse suas influências pessoais, mas sem perder nossas características iniciais da banda, que é essa temática contestatória. Apesar de termos mudado bastante o som, sempre mantivemos a agressividade, tanto nas letras, quanto na sonoridade.
Nesse tempo passaram por muitas fases diferentes do rock paraense, como vocês enxergam esse momento em comparação com os outros?
Estamos num momento muito bom. Lembro-me que há uns dois ou três anos atrás comentei com o pessoal da banda que mudanças estavam por vir no nosso cenário. Uma grande movimentação estava se desenvolvendo por trás dos panos e agora estamos sentindo no auge os frutos dessa semente plantada. Pode parecer piegas isso tudo, mas é a grande verdade. Quem acompanhou a história do cenário de alguns anos atrás pra cá, é só fazer a comparação que verá como melhorou em todos os aspectos.
E o circuito independente nacional, tem melhorado?
A cena independente no Brasil todo está borbulhando. As bandas tocando
na MTV, espaço antes que só eram ocupados pelas grandes bandas.
Acho que a democratização dos espaços está forte.
A internet ajudou a encurtar a distância entre os estados, distância
essa que talvez seja nosso maior problema, já que o país é
muito grande.
Vemos que a coisa está organizada em certos estados fora do eixo Rio-São
Paulo.
Festivais acontecendo, programas de TV alternativos e vários outros lances
que contribuem para uma evolução maior da coisa. Ah! E nunca vimos
o Norte / Nordeste tão efervescente como agora.
Quais foram os momentos mais marcantes e cruciais nesse tempo?
Acho que algumas viagens que fizemos ficaram na nossa memória
para sempre. Na época em que fazíamos a coisa mais "na coxa",
década de 90, em que dormíamos em rodoviária e pedíamos
comida na rua, até nas viagens mais elaboradas, como a turnê por
quase todo o nordeste em 2000 (época do lançamento do nosso 1º
CD oficial). Em ambas as épocas, fizemos ótimos contatos, tanto
de amizades quanto de divulgação da banda, que perduram até
hoje. Também é inevitável comentar os grandes festivais
da cidade, como o Rock 24 Horas, no qual em todas as três edições
víamos o coro de nossas músicas ecoando pelos quatro cantos das
praças onde ocorria o evento.
Este ano mesmo, houve três grandes apresentações da banda:
Memorial do Rock, Fest Rock e Se Rasgum no Rock. Todas elas com vários
elogios à performance e ao som. Estamos com intenção de
fazer um DVD com esse material de arquivo.
Recentemente a banda gravou um clip, como foi o processo de gravação
e quantos clips vocês já lançaram?
O clipe da música Suíno Homo Sapiens foi gravado numa manhã e tarde de sábado, aqui mesmo em casa (onde funciona o Fábrika Stúdio) pelo Ricardo Shinji, com apoio da Zena Gorayeb e equipe. Posso dizer que é um clipe caseiro, mas bem feito, com imagens em stop-motion e um áudio bem porrada. Este é nosso 2º clipe. O 1º foi o Matança de Animais, somente com imagens de shows.
A banda está em processo de gravação do segundo disco. Como está sendo? Quem está produzindo? Qual o estúdio? Quem vai lançar? Já tem data prevista para chegar às lojas?
Estamos gravando no Digital Master, produzido por nós
mesmos e pelo André
Matos, será lançado pelo selo Abunai Records em parceria com alguns
outros selos
(inclusive de fora). Esse é o melhor sistema de mercado para nosso estilo
que achamos com a experiência adquirida. Deve chegar às lojas no
início de 2007.
O que o público pode esperar desse disco? As músicas são
totalmente inéditas ou já rola algo nos shows?
Alguns sons novos, como L'Uomo Delinqüente, somam-se à outras antigas, mais inéditas em gravações oficiais, como Escravidão Atual e Mundo Vazio. Há também várias outras que tocamos há anos e que ficaram de fora do 1º CD. Algumas delas já saíram em demos. E os planos para os próximos 20 anos (rs)? Ficar ricos e nos aposentar, hehe. Brincando. Na verdade temos planos a médio alcance em vista, como o lançamento do 2º CD, o lançamento do já citado DVD e algumas viagens para divulgar isso tudo. Depois disso, só o tempo dirá...
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